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[Quinta-feira, Novembro 05, 2009]
Enquanto descíamos as escadas, por um instante ele me pára e diz:
- Vou fazer uma coisa que eu queria fazer há muito tempo.Posso?
...E ele me beijou na boca.
Um tremor iniciava - se na ponta dos pés, mas sem querer racionalizar ou entender aquele fato tão repentino que em um tempo passado era só um vão desejo, instintivamente correspondi.
Talvez para compensar uma frustração antiga que aquele beijo reparava definitivamente.
Talvez para matar a curiosidade.
Talvez pela força da circunstância, da distância, da saudade que dois amigos sentem quando há muito não se vêem.
Talvez uma paixonite, um devaneio contido que naquele momento se exteriorizava, se abrindo feito flor na primavera.
Talvez fosse o símbolo de um perdão que ambos dávamos por termos sido tão cruéis um com o outro, numa cobrança de zelo às avessas.
Muitas hipóteses.Muitas idéias.Tinha acabado de acontecer.E eu me dividindo, me fragmentando, ainda com um gosto agridoce na boca, e o coração a mil por hora.
Recobrei os sentidos.Acordei.E de olhos bem abertos, não entendia, não compreendia a razão daquele beijo ter acontecido naquela altura do campeonato.Nó na garganta, e o silêncio assumindo o controle quando as palavras faltam.
Não tive coragem de exigir explicações. Seguiremos em frente sendo o que sempre fomos?
Tentei não pensar no assunto, ignorar, fingir que não foi nada, mas a quem preciso enganar? Que tal não levar em conta, dizer que o beijo ocorrera de forma zombeteira, por pura farra, e que não é necessário levar à sério? Quem me garante que a linha que separa a razão concreta e o fantasioso não vai se romper?
A real? Foi por pura satisfação de um desejo, que quando consumado naquele momento, perdeu o seu valor. E a amizade (creio eu) continua de pé.
Ok, continua de pé. Mas continua tudo na mesma? Esse arroubo de atitude momentânea poderia sim ocorrer com qualquer transeunte sexual que cruzasse o caminho dele.É fácil quando não existe referência, deixar pra trás. Mas a mim, o amigo?
Valeu a pena pra quem?
Postado por: Vinho ;) * 12:49 PM
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[Sábado, Julho 25, 2009]
"Um mês sem Michael Jackson"
De fato, demorei algum tempo para me pronunciar publicamente à respeito da morte do cantor Michael Jackson. Antes de mais nada, porque pra mim, foi e está sendo difícil crer que um artista de tamanha grandeza partiu dessa, sem um retorno triunfante, como previsto e programado em sua turnê de despedida "This Is It". Não houve oportunidade para que se calassem rumores e vozes midiáticas que mais endossavam a personalidade excêntrica que a artística de um homem que mudou o rumo da música pop americana.Neste momento, é funcional que aqueles que jogaram pedras, rendam - lhe homenagens e digam palavras de conforto, afinal de contas,além de ser de praxe, gera notícia e renda. Imagino os milhões que gravadoras como SonyBMG e a Universal devem estar faturando com as vendas dos discos do Michael Jackson, estas mesmas gravadoras que retiraram seus discos de catálogo e que pouco investiram na divulgação de seus discos, dando - lhe um acabamento perfeito e merecido.
Minha tristeza agora nem é mais pela perda, é pelo falso testemunho, pela depreciação, pelo oportunismo desmedido...
Se encerrou uma era?Difiícil afirmar. A indústria fonográfica nunca mais será a mesma depois de Michael Jackson. Sua presença é onipresente em cada artista pop que brota com ou sem personalidade, a cada break de coreografia exposta em vídeo-clipes.Agora sim ele assume definitivamente (e triunfalmente) o posto auto - coroado em 1995.
Foi - se o homem, eternaliza - se a lenda. Michael Jackson para todo o sempre!
Postado por: Vinho ;) * 9:07 PM
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[Sábado, Março 28, 2009]
"Tudo Pode Estar Onde Menos Se Espera"...
Não dava nada por aquele anúnico nos Classificados do Jornal. Mas assim, como quem nada quer, ao invés de mandar o currículo pelos Correios (como informado), preferi ir lá pessoalmente ver qual é, conhecer a empresa de cara...
Com o endereço em mãos, rumei para o Imbuí sem ter a menor idéia do que me aguardava.O bom é sempre se dar à chance da surpresa. A coordenadora do curso me recebeu em sua sala, e de cara me perguntou se eu poderia fazer uma prova de nivelamento, sem compromisso. Susto: A prova mais parecia exame de vestibular com mais 300 questões a serem respondidas em inglês, entre estas, de assinalar e dissertativas.Passei.A segunda etapa seria com os outros concorrentes que também obteram êxito na avaliação.De 30, fiquei entre os 7. Dos 7 fiquei entre os 5. E dos 5 fiquei entre os 3.
Quando estava prestes a assinar contrato, uma outra empresa que havia deixado currículo me escala para ser empregado imediatamente e com urgência, com um salário compatível, e com transporte particular da mesma, me trazendo e me buscando em casa. O caso é que eu trabalharia no ramo de hotelaria a 1h:40 de Salvador, mas mesmo assim achei bem mais vantajoso a proposta.
Tudo acertado e tudo indo muito bem...Até que a crise chegou lá linda, fina e de salto alto.O Complexo Hoteleiro não possuia outra alternativa a não ser demitir seus empregados em massa.Como havia pouco tempo de contratado, acharam melhor me colocar no bolo.Fiquei atônito. "Não era pra dar certo"? Não tive muito tempo de lamentar...A Coordenadora do Curso me liga no dia seguinte perguntando se eu ainda tinha interesse em aceitar a vaga de Professor de Idiomas, mas com campo de atuação em Guanambí.Eu rí, achando que o universo cósmico e telúrico estava me aprontando mais uma.Eu disse sim, e eu tive apenas 2 dias para aprontar a documentação, arrumar as malas, e ir. Mal tive tempo de comemorar ou de contar para meus amigos. E aqui estou eu.
O que dizer sobre a cidade de Guanambí? O que dizer desta minha nova experiência profissional que tem exigido de mim habilidades até paternais? Tenho amado e odiado. Tenho me adaptado a uma rotina e um ritmo diferente de uma metrópole. Lidado com a solidão. Aprendendo a me virar sozinho, sem apoio familiar. Aprendido a interagir com crianças (coisa que nunca foi habitual pra mim). Residir em Guanambí tem sido um tanto terapêutico. Notei a importância de economizar. Do quanto meus amigos são importantes para alegrar e animar a vida, e como eu sinto a falta deles! Como sinto a falta da minha casa, da voz da minha mãe me chamando, ou da minha irmã cantando na cozinha. De coisas que achava sem graça, e que longe delas, me fizeram enxergar que possuíam o seu valor (por mais ínfimas, e supérfluas).
E de como o tempo voa...
"Incondicional"- O mais novo álbum do cantor Pedro Mariano.
Postado por: Vinho ;) * 12:48 PM
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